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CEAME: a inclusão, o afeto e a saúde mental caminham juntas em Porto Seguro

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  • 25 de nov. de 2025
  • 3 min de leitura
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Por Paulo Lourenço

Entrevista conduzida pelo médico psiquiatra Dr. Rafael Ferli

Porto Seguro (BA) — 6 de outubro de 2025


Na Costa do Descobrimento, berço de história, fé e resistência, também florescem iniciativas que reinventam o cuidado em saúde mental e inclusão. Em Porto Seguro, o CEAME (Centro de Educação Inclusiva e Atendimento Especializado) é um desses lugares. Há anos, a unidade acolhe, ensina e celebra as diferenças com amor e dignidade, hoje atendendo 288 crianças e adolescentes com deficiência intelectual, física e sensorial, oferecendo suporte pedagógico, emocional e social.

Para compreender como esse trabalho transforma realidades, o médico psiquiatra Dr. Rafael Ferli conversou com Paula Campos, diretora da unidade.


Ao ser perguntada sobre como definiria a missão do CEAME dentro da rede municipal, Paula começa compartilhando a alegria da visita:


“É uma grata surpresa receber vocês, ainda mais para falar de um trabalho feito com tanto amor e tão bonito.”


Ela destaca que o centro possui uma equipe comprometida com o cuidado pedagógico:


“Temos uma equipe de peso, que compreende a importância desse cuidado para a evolução das crianças. Atendemos tanto crianças quanto adolescentes, trabalhando questões socioemocionais. Hoje, precisamos fortalecer a saúde mental da família, porque isso é essencial no desenvolvimento de nossos meninos e meninas.”


Dr. Rafael observa como o CEAME não apenas educa, mas acolhe em profundidade, e questiona quais são os principais desafios quando falamos de saúde mental.


Paula responde sem hesitar:


“Sem dúvidas, estereotipia e o preconceito. Então o trabalho é ainda maior. Vamos até o contexto social dessa família. Nosso foco é preparar esse ser humano, acolher para que questões emocionais e de preconceito não interfiram na evolução do aluno.”


Rafael reforça que é inspirador ver uma instituição que não cuida apenas do estudante, mas de todo o ambiente que o cerca e pergunta sobre a participação das famílias.


Paula explica:


“Temos um grupo de parentalidade familiar, com apoio de assistente social e psicóloga. Percebemos que a família precisa estar incluída nessa construção. Quando uma família não recebe a informação correta, não há continuidade do tratamento em casa. Nosso trabalho envolve toda a família.”


Dr. Rafael destaca que o CEAME caminha de mãos dadas com pais e responsáveis, e que essa união deveria servir de referência para outras unidades públicas.


Sobre as estratégias de regulação emocional e bem-estar, Paula detalha a importância da articulação com a coordenação de educação inclusiva:


“Essa parceria deu muito certo. Entendemos o contexto, criamos o plano de ação, identificamos a maior dificuldade daquela criança ou adolescente, e junto com a sala de recursos e o cuidador, definimos as técnicas que devem ser trabalhadas. E tudo é baseado em evidências.”


Rafael então questiona quais recursos são essenciais para expandir esse cuidado.


Paula responde:


“Temos psicóloga, assistente social… e isso permite monitorar, escutar e ir até a casa da família para entender os contextos. Conseguimos fazer essa ramificação com toda a rede de apoio.”


Ao final, Rafael pergunta a Paula qual mensagem ela deixaria para a sociedade sobre a importância de espaços como o CEAME.


Paula respira e diz com firmeza:


“Falar do CEAME é muito bonito. É um centro essencial que muda e transforma vidas de pessoas que precisam de suporte emocional. Quando você potencializa alguém e mostra que ela é capaz, percebemos que mudamos vidas. Essa é a missão do CEAME.”


E Dr. Rafael encerra com a sensibilidade que marca seu trabalho:


“Quando o cuidado é feito com amor, é mais do que cuidado. É pertencimento.”


Reconhecimento e compromisso com quem cuida


O CEAME recebeu o Selo de Compromisso com a Saúde Mental, concedido pela SMS – Saúde Mental Solidária.

O reconhecimento reforça um dos pilares da plataforma: valorizar e cuidar de quem cuida.

Como parte da iniciativa, a unidade contará, sem custos, com a participação de um funcionário ou gestor no programa SMS

, garantindo acompanhamento emocional a quem dedica a vida a apoiar outras vidas.


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