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SOS Florais: quando ciência, espiritualidade e comunidade se unem para reconstruir o cuidado

  • contatoplourenc0
  • 22 de nov.
  • 3 min de leitura
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Entrevistas conduzidas pelo médico psiquiatra Dr. Rafael Ferli

Santa Cruz Cabrália (BA) - 6 de outubro de 2025


“Estamos na Costa do Descobrimento, um território de história, fé, resistência e inovação no cuidado em saúde mental.”


Foi assim que o Dr. Rafael Ferli abriu nossa visita a Santa Cruz Cabrália, onde um projeto singular tem transformado o cuidado emocional após um dos momentos mais difíceis vividos pela cidade.


Depois das enchentes de 2023, profissionais da rede pública e lideranças comunitárias se uniram para criar o SOS Florais, uma iniciativa que combina ciência, espiritualidade e solidariedade para oferecer alívio, vínculo e escuta a quem mais precisava.


Entre essas vozes está Diego da Rosa Leal, enfermeiro e um dos responsáveis pela implantação da experiência no município.



Ao iniciar a entrevista, Dr. Rafael pergunta:


“Diego, como surgiu o SOS Florais aqui em Cabrália?”


Diego: “Começamos trabalhando no CAPS, na educação e em outros ambientes do território, fazendo atividades educativas e integrativas. Depois da enchente, percebemos que precisávamos ir além. Foi aí que nasceram outras práticas, e o SOS ganhou força.”


Os desafios de começar quando tudo ainda era incerteza


Sobre as dificuldades enfrentadas para implementar o projeto, Diego foi direto:


“O principal desafio foi o financiamento. Conseguimos uma lei municipal no início deste ano, mas até tramitar leva tempo.”


Ainda assim, a equipe não esperou a burocracia para começar a acolher.


Dr. Rafael quis entender como os florais chegam à comunidade:


R: “Como os florais são produzidos?”


Diego: “O Brasil é destaque nos florais , temos produção em Minas e no Amazonas. Nossa professora, Elizete, conseguiu uma doação de 15 mil florais. Eles não só ajudaram na enchente, como até hoje sustentam parte do trabalho.”


Florais nas crises psiquiátricas: um apoio que não substitui, mas complementa


R: “E no projeto vocês utilizam florais até nas crises psiquiátricas. Como isso funciona?”


Diego respondeu: “Além da abordagem tradicional, usamos os florais como complemento. A grande vantagem é não terem contraindicações. Podemos usar de forma franca e tranquila.”


Impactos percebidos nos pacientes e na própria equipe

Sobre os benefícios, Diego reforça:


“Usamos os florais em vários momentos, e isso foi positivo de muitas maneiras. Entre as 29 práticas integrativas, o floral é a que tem melhor inserção. Os pacientes quase não têm resistência.”


E completa:


“A equipe também sente os efeitos. Em um período pós-enchente, em que todos estavam exaustos, essas práticas ajudaram a recuperar o sentido do trabalho.”


Tecnologia não abraça e saúde mental precisa de toque humano


Ao comentar sobre estudos, práticas e a trajetória desde 1998, Dr. Rafael provoca:


R: “Você junta evidências, publicações, história… Qual aprendizado essa experiência deixa para Cabrália e outras cidades da Bahia?”


Diego responde com uma frase que atravessa:


“Acolher é sempre o melhor remédio. Quando fazemos uma roda de terapia comunitária integrada, percebemos que um abraço é algo que nenhuma inteligência artificial faz.”


Dr. Rafael então acrescenta:


“As pessoas esqueceram o contato humano, ficaram presas na tecnologia. As práticas integrativas lembram o que é viver, sentir, estar. O SOS Florais mostra que cuidar da saúde mental é mais do que prescrever: é escutar, acolher e reconhecer o ser humano em sua totalidade.”


Quando saber científico e saber popular florescem juntos


O SOS Florais nasceu da dor de uma cidade atingida, mas criou raízes profundas na tradição, no afeto e no trabalho conjunto entre profissionais e comunidade.


Em Santa Cruz Cabrália, o cuidado brota dessa união:

da ciência que orienta, da espiritualidade que acalma e do vínculo humano que sustenta.


É ali, entre rodas, florais, escutas e abraços, que a saúde mental encontra seu verdadeiro sentido:

no encontro.


Reconhecimento e compromisso com quem cuida


O projeto recebeu o Selo de Compromisso com a Saúde Mental, concedido pela SMS – Saúde Mental Solidária.

O reconhecimento reforça um dos pilares da plataforma: valorizar e cuidar de quem cuida.


Como parte da iniciativa, o projeto contará, sem custos, com a participação de um funcionário ou gestor no programa SMS + Psicologia, garantindo acompanhamento emocional a quem dedica a vida a apoiar outras vidas.

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